@tainah
parentes, vou falar de uma coisa que me incomoda faz tempo.
tem muita gente indígena produzindo informação todo dia: coletivos, comunicadores, jornalistas, páginas., gente cobrindo mobilização, denunciando violência, passando conhecimento, mostrando a vida como ela é, coisa que raramente chega nos grandes veículos e muitas dessas páginas têm poucas centenas de seguidores, quando têm tanto a dizer.
aí eu me pergunto, e pergunto pra vocês: a gente tá ajudando esses espaços a chegar mais longe?
quem constrói é a gente, junto! um compartilhamento leva a notícia pra outra aldeia, outra cidade, outra bolha. um comentário faz a publicação aparecer pra mais gente. um seguidor novo pode ser o que faltava pra um comunicador continuar.
então fica o convite:
1) Procura e segue os coletivos e comunicadores indígenas, em todas as redes.
2) Compartilha o que eles produzem: reportagens, coberturas, denúncias.
3) Comenta, marca, conversa. Só ver não ajuda a postagem a circular.
a gente não pode depender só dos outros pra contar nossa história e explicar nossa luta.
se tem parente produzindo, é a gente que faz essa comunicação circular.
agora me ajuda: deixa nos comentários o nome de páginas, coletivos, jornalistas e comunicadores indígenas que você acompanha e acha que mais gente precisa conhecer.
vamos montar essa lista juntos.
nossa voz precisa circular. nossa informação precisa chegar. e quem fortalece a nossa comunicação somos nós. ✊🏽
Texto feito por karuãn
Cosmovisão indígena, diversidade de afetos e caminhos do ser
Dentro das cosmovisões indígenas, a existência humana nunca foi limitada às categorias rígidas impostas pelo pensamento ocidental. Antes mesmo da colonização, já existiam pessoas que hoje poderiam ser chamadas de “gay”, mas essa palavra não fazia parte dessas realidades.
Nos mundos indígenas, o que sempre existiu são formas diversas de ser, viver e se relacionar. Em muitos povos, há o reconhecimento de pessoas que carregam múltiplas energias, múltiplos papéis e formas próprias de existir. Não é uma visão baseada na divisão imposta pelo homem branco, mas em um entendimento mais amplo do equilíbrio da vida.
O afeto, nessa visão, está ligado à verdade do espírito, ao respeito e à conexão com o outro e com o mundo. Amar nunca foi o problema — o conflito surge quando conceitos coloniais passam a interferir nessas formas de viver.
Em diferentes povos, existem — ou existiram — processos e rituais de escuta, orientação e descoberta do próprio ser. Esses caminhos não eram decisões imediatas ou impostas, mas vivências acompanhadas ao longo do tempo, muitas vezes com a presença de lideranças, anciãos e da própria comunidade. Era um processo de compreensão: observar o corpo, os sonhos, os sinais e o espírito, para que a própria pessoa pudesse entender qual caminho seguir, de forma mais verdadeira e equilibrada.
Não se tratava de rotular, mas de permitir que o ser se revelasse com o tempo, em harmonia com sua essência e com o coletivo.
Hoje, com o crescimento de indígenas em contextos urbanos, muitos conceitos externos entram nas comunidades. Termos, identidades e debates vindos da cidade podem gerar conflitos quando não são compreendidos dentro das cosmologias indígenas.
Por isso, o caminho não é negar essas vivências, mas sim dialogar com elas a partir das próprias raízes. Adaptar, compreender e traduzir esses conceitos para dentro das culturas originárias é essencial para evitar conflitos e fortalecer o equilíbrio.
A diversidade sempre existiu. O desafio atual não é criar algo novo, mas lembrar, respeitar e reconectar com aquilo que já faz parte dos saberes ancestrais.
Luciene Miranda
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